Criar Esperança Através da Ação

Em todo o mundo uma em cada 100 morte deve-se ao suicídio. Estima-se que por ano, cerca de 703 000 pessoas se suicidem (OMS). Pode afetar-nos a todos de forma direta ou indireta. Todos os suicídios são devastadores, com um profundo impacto naqueles que o rodeiam. Mas ao despertar consciências e promover a redução do estigma ligado ao suicídio, encorajando ações informativas é possível intervir no contexto em que o mesmo ocorre, reduzindo assim o suicídio e as tentativas de suicídio em geral.
Neste triénio a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) lança o tema “Criar Esperança Através da Ação” que ambiciona criar um movimento social de ação preventiva, com o envolvimento de todos.
A situação pandémica trouxe maior visibilidade para as questões ligadas á saúde mental, dadas as mudanças sem precedentes em todo o mundo. A saúde mental tornou-se uma prioridade global perante as inquestionáveis implicações do distanciamento social, quarentenas e restrições sociais além do impacto direto da doença no ser humano.
Ao apoiar mudanças nas políticas nacionais e globais, de modo a implementar campanhas de sensibilização para o bem estar mental e redução do estigma, aumento da literacia em saúde mental, despertar a consciência social para a problemática do suicídio, encorajar a procura de ajuda e apoio, cada um de nós pode fazer a diferença. Cada um de nós pode ser a LUZ para alguém em risco.
É preciso lembrar que há alternativas ao suicídio; que vale a pena viver. Inspirar confiança e criar luz em todos nós. As nossas ações grandes ou pequenas podem gerar esperança naqueles que lutam com a ideação suicida. Através da ação, cada um de nós (membro da sociedade) pode fazer a diferença face aos momentos mais negros de alguém: família, vizinhos, colegas, amigos, desconhecidos…
Todos nós podemos ter um papel muito importante ajudando alguém a ultrapassar uma crise suicidaria ou dando apoio aos enlutados pelo suicídio.
Os pensamentos suicidas são complexos, pois os fatores e as causas que levam ao suicídio são múltiplas e complexas. Não há uma abordagem que funcione para todos. Mas sabemos que certos fatores e eventos de vida podem deixar os indivíduos mais vulneráveis ao suicídio e ás perturbações mentais como a ansiedade e a depressão, que precisão de ser tratadas. A depressão aumenta o risco de suicídio vinte vezes. Mais de metade dos suicídios ocorrem antes dos 50 anos. O risco de suicídio é duas vezes maior no homem do que na mulher.
As pessoas em crise suicidaria muitas vezes, sentem-se prisioneiros de algo ou um fardo para os outros, sozinhos e sem opções, isolados e vulneráveis. Estes sentimentos foram ampliados pela pandemia. Estas pessoas com pensamentos suicidas precisam de saber que alguém se preocupa e está disponível para ajudar. Não é necessário dizer o que deve fazer ou ter todas as soluções, simplesmente dispor de tempo e espaço para ouvir sem julgar. A comunicação é a chave para criar uma conexão com a vida e criar esperança.
Sendo o estigma uma das maiores barreiras que impedem a pessoa de pedir ajuda é fundamental mudar a narrativa á volta do suicídio (tema tabu) promovendo uma sociedade mais compassiva. As experiências e as histórias de vida daqueles que lidaram com o suicídio em primeira mão e ultrapassaram a crise suicidaria, podem ser muito poderosas para fomentar a esperança e ajudar outros a compreender o fenómeno do suicídio, procurando ajuda ou estando mais disponíveis para dar apoio.
TU PODES SER A LUZ
